Amoreira (Morus nigra)
Há 10 anos
Esqueça aquela ideia de um fotógrafo da natureza enfiado no meio da floresta, esperando pela luz perfeita. Robert Buelteman trabalha em estúdio, na escuridão total, largando mão de câmeras, lentes e computadores. Ele usa, na verdade, fibras ópticas e 80 mil volts de eletricidade. O resultado é uma série de fotos incríveis, que registram a vida dos objetos da foto ao mesmo tempo em que os mata.
Buelteman começa pegando flores, folhas e galhos e “descascando-os” com um bisturi até que eles fiquem translúcidos. Depois cada objeto é colocado em um filme de transparência e coberto com uma tela de difusão. Isso é então colocado sobre um pedaço de metal que fica flutuando no silicone líquido. Esse conjunto recebe um impulso elétrico, e os elétrons “dançam” pulando da placa de metal, através do silicone e da planta – e, com sorte, não através de Buelteman.
Neste momento, o gás que circula o objeto da foto é ionizado, deixando para trás imagens etéreas. O fotógrafo então pinta o resultado com uma luz branca que passa através de uma fibra ótica com a espessura de um fio de cabelo humano, um processo tão complicado que pode demorar até 150.
Como nenhuma lente distorce as cores, o trabalho de Buelteman reproduz as matizes das cores naturais diferente das fotografias tradicionais. “Coloco em questão o que vemos todos os dias”, diz o artista. “Isso é realmente uma flor? Fui cego durante toda a minha vida?”, questiona.
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