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domingo, 26 de abril de 2009

Florais de Bach ajudam a recuperar plantas

Não são somente os animais e as pessoas que podem ser tratados com gotinhas de essências de flores. A vegetação também recebe os benefícios da técnica

Para tratar o esquecimento e a falta de atenção desta espirradeira, o floral mais indicado é a mistura de Rescue Remedy com gotas de Hornbeam e Willow.

O hibisco estava sofrendo com pragas. Neste caso, as gotas de Crab Apple a ajudam a se livrar do problema.
A primavera ficou mais murcha com os dias gelados e precisou de uma dose de Rescue Remedy + Wild Rose para recuperar a força.

Quase morrendo, a alamanda precisou das doses de Rescue Remedy para renovar o equilíbrio.

Não, você não está enganado: os Florais de Bach podem trazer benfeitorias também para suas plantas, principalmente aquelas que estão machucadas, que sofreram algum trauma ou simplesmente ficaram esquecidas em um canto de sua casa. Assim como os humanos, elas sentem se o dono as despreza. “Para ajudar, precisamos observar qual é o sofrimento remediado”, comenta a terapeuta floral Maria Aparecida das Neves.
Criado na década de 30 pelo médico inglês Edward Bach, os florais compõem 38 essências de plantas e flores, que combinadas ou não entre si, ajudam as pessoas a administrar as pressões emocionais do dia-a-dia. E com vantagens: são naturais e não têm contra-indicação, podendo ser usadas por qualquer um.
Bach se baseou em 38 estados negativos da mente como medo, incerteza e solidão, entre outros. Para cada um deles encontrou uma flor correspondente e criou as essências. “Na prática, temos excelentes resultados em plantas que foram transplantadas, sofreram quedas e as que foram cortadas e colocadas em vaso. Serve até mesmo para ajudar no crescimento”, diz a terapeuta.
Bastam dez gotas do floral escolhido em um litro de água para iniciar o tratamento. Depois, é só colocar em um borrifador e espirrar pelo menos quatro vezes ao dia. “Toda planta deve ser regada pela manhã ou ao cair da tarde, pois se molhar com o sol escaldante, pode queimar suas folhas e flores. Se quiser, coloque a água com floral ao redor da terra onde está plantada.”
Mas, qual usar?
As gotinhas para a flora são as mesmas que nós, os humanos, tomamos. Feitas com brandy, que têm a função de conservar a água, elas podem ser aplicadas em qualquer espécie. “Não é esta ou aquela planta que se beneficia mais com o floral, mas sim com a indicação adequada para a situação”, explica.
Até mesmo as que estão morrendo são recuperadas. Neste caso, o melhor é o Olive, que ajuda a devolver a energia vital, ou o Rescue Remedy, que renova o equilíbrio do sistema como um todo.
Indicações para saber qual aplicar
Para todas - Rescue Remedy, usado em situações de emergência, como acidente, choques;
Transplantadas - Rescue Remedy + Walnut, que trata a hipersensibilidade apresentada neste momento;
Expostas ao frio e à geada - Rescue Remedy + Wild Rose;
Sofreram quedas – Star of Bethlehem, para recuperar o trauma;
Flores cortadas – Star of Bethlehem na água do vaso. Pode combinar ainda com Walnut (para a mudança de ambiente), Wild Rose (para as apáticas) e Rescue Remedy;
Esquecidas ou negligenciadas – Rescue Remedy + Hornbeam e Willow, para recuperar e transformar insegurança e ressentimento em positivismo e alegria pela vida. Traz equilíbrio e sentido para florir novamente;
Para crescer – Vine, ajuda a arrebentar a casca dura da semente para germinar; Hornbeam, fornece energia adicional para o crescimento; e Olive, para superar a exaustão causada pela germinação e pelo crescimento;
Para livrar de pragas – Crab Apple, que faz uma limpeza nas plantas e as livra também de insetos.
Anna Schimtz

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Estudo de plantas médicas indígenas cai na ilegalidade

A pesquisa com plantas medicinais descobertas por culturas tradicionais só existe hoje no país se for feita na clandestinidade. Essa é a opinião do farmacólogo Elisaldo Carlini, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e de vários outros pesquisadores da área que participam da reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).
As pesquisas realizadas com plantas cujos conhecimentos venham de índios ou povos como quilombolas e ribeirinhos precisam de autorizações do CGen (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético) que não tem sido concedidas.
Segundo Carlini, a criação do órgão, em 2001, criou de barreiras para a bioprospecção, a criação de drogas com base em recursos de seres vivos. A continuidade de um trabalho que ele orientava, com plantas utilizadas pelos índios krahô, foi proibido pelo órgão em 2003. "Eles estão querendo proteger as nossas riquezas, mas não é dessa maneira. Estão cometendo um crime de lesa-pátria, na minha opinião, porque estão impedindo a pesquisa."
Carlini preside também um congresso sobre fitomedicina, que acontecerá em São Paulo em setembro, e conta que a maior parte dos 1.500 trabalhos inscritos descreve plantas sobre as quais os cientistas não obtiveram licença para trabalhar. Sem aval, as pesquisas vão para a clandestinidade. Um programa dos SUS (Sistema Único de Saúde) para uso de plantas medicinais, diz, está atrasado por conta da burocratização da pesquisa no Brasil.
A química Vanderlan Bolzani, da Unesp, diz que falta de pesquisa leva ao uso inadequado da fitomedicina. Segundo ela, espécies estão sendo confundidas --algumas têm eficácia e outras não. Ela citou como exemplo algumas plantas parecidas com a Erythrina mulungu, calmante. Uma planta tóxica, a Petiveria alliaceae, tem sido usada como cicatrizante.
Eliana Rodrigues, da Unifesp, autora da pesquisa com os krahô, teve seu trabalho barrado no Cgen após uma disputa de índios por royalties. Ela conta que todo o processo de autorização leva em média três anos --passando pela universidade, Funai, órgãos de pesquisa e ambientais.
Outra questão polêmica é a repartição dos benefícios gerados com o uso do conhecimento tradicional associado à natureza. Em alguns casos, mais de uma etnia detém o conhecimento que foi aproveitado, e é difícil avaliar quem descobriu o uso médico de determinada espécie. Há caboclos de quatro regiões do país que usam uma mesma planta ansiolítica, que já teve eficácia testada cientificamente, diz Carlini. "Não tenho como descobrir que grupo usou primeiro."
Ele opina que o governo deveria se responsabilizar por descobrir quem tem o direito de receber o benefício e fazer a distribuição de lucros.
Habeas corpus
Num dos debates na SBPC, surgiu a idéia de os cientistas que não conseguem trabalhar pedirem habeas corpus preventivos ao STF (Supremo Tribunal Federal). "Há uma unanimidade na comunidade científica de que a legislação atual atenta contra a pesquisa e é equivocada", diz o consultor e ambientalista Fabio Feldman.
Maria Emerick, diretora do departamento do patrimônio genético do MMA, era aguardada para uma mesa-redonda, mas não compareceu até o fim do evento, na noite de ontem.
Hoje, uma medida provisória regulamenta a questão e há um anteprojeto de lei sobre o tema parado desde 2003 na Casa Civil. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) afirmou na segunda-feira, na reunião da SBPC, que tentará "descriminalizar" a pesquisa e os pesquisadores. Ele disse que parte dos trabalhos poderiam ser autorizadas pelo Ibama e outra parte, diretamente pela universidade.
Carlini disse que vai insistir para que o ministro atenda a Febraplame, que congrega as associações para estudo de plantas medicinais.
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u423633.shtml