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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os astros e a música: uma conexão milenar

Platão já relacionava a música e os astros. Kepler falava na "harmonia do mundo". O Ano Internacional da Astronomia é oportunidade para investigar essa fonte de inspiração: de Haydn e Offenbach a Messiaen e Stockhausen.

Seguindo uma proposta da União Astronômica Internacional (IAU), 2009 foi declarado Ano da Astronomia. Há 400 anos, em 1609, Galileu Galilei (1564-1642) e outros estudiosos utilizaram pela primeira vez telescópios para observações científicas. Além disso, com sua obra Astronomia Nova, Johannes Kepler estabeleceu naquele mesmo ano os fundamentos para que se compreendessem as leis físicas que regulam os corpos celestes.

"Ora – direis – ouvir estrelas!"

Vários séculos antes da era cristã, caldeus, assírios e babilônios já viam na música mais do que uma mera "decoração sonora" do mundo pelas mãos humanas. Até a alta Idade Média, essa arte fazia parte do cânon básico da formação erudita, ao lado da aritmética, geometria e astronomia.
Inúmeros estudiosos das grandes civilizações – em especial, os gregos Platão e Pitágoras – percebiam uma conexão entre o ser humano, seus sons e o cosmo. O estudo da música era encarado como uma chave para a compreensão do mundo.

Uma noção partilhada por esses pensadores era a de "harmonia das esferas". Segundo os filósofos pitagóricos, que se ocupavam da matemática e da harmonia numérica, as proporções e números astronômicos faziam soar as esferas siderais, resultando numa "música das estrelas".
No século 15, Nicolau Copérnico (1473–1543), pai da visão heliocêntrica do mundo, acreditava que através da música se poderia encontrar o caminho até as harmonias que deram origem ao universo. Para o astrônomo italiano, as relações entre as diferentes vozes musicais possuíam o potencial para reproduzir as proporções dos movimentos celestes.

Espelho dos destinos humanos

Bem antes de os caminhos da astronomia e da astrologia se separarem – uma em direção à ciência moderna, a outra relegada ao plano do esoterismo –, as estrelas e constelações representavam um papel importante na música. Na ópera, os corpos celestes frequentemente espelharam os destinos humanos.

É assim que, no final de La Callisto, do barroco veneziano Francesco Cavalli (1602-1676), sua casta protagonista, uma ninfa, é elevada às esferas estelares, tornando-se imortal. Da mesma forma, um século adiante, Joseph Haydn (1732-1809) fará a personagem principal de sua ópera bufa Il mondo della Luna ir procurar a felicidade no satélite da Terra.
Passado um século, Jacques Offenbach (1819-1880) se inspirará na obra de Jules Verne para sua Le voyage dans la Lune. Entretanto, para o compositor de operetas, o tema da viagem espacial é apenas pretexto para uma caricatura irônica da condição humana.

A Harmonia do Mundo

Quer na forma de piada, ironia ou significado profundo, a inspiração em temas astronômicos atravessa toda a história da música – operística, sinfônica e de câmara. Por exemplo, a maneira como o compositor inglês Gustav Holst (1874-1934) empregou um coro feminino – vocalizando sem texto –, no final de The Planets opus 32, sua obra mais popular, faz pensar na noção coperniciana de harmonia celeste.


Note-se que o último dos sete movimentos (a Terra não está incluída) dessa suíte orquestral de 1916 é Netuno, pois o planeta-anão Plutão (classificado como nono planeta, até a redefinição desse conceito pela IAU, em 24 de agosto de 2006) só seria descoberto 14 anos mais tarde.
O astrônomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) estava convencido: "A alma humana fica alegre ao escutar sons harmônicos [consonâncias], mal-humorada ao escutar sons não harmônicos [dissonâncias]".
Também teólogo e matemático, ele tratava a música como emanação e alegoria da harmonia do mundo. E é justamente este o título da ópera baseada na vida de Kepler, que Paul Hindemith (1895-1963) escreveu na primeira metade da década de 1920: Die Harmonie der Welt.

Eliminar as dissonâncias da vida através da música: uma bela, sublime visão que durante séculos elevou o valor espiritual da música a níveis astronômicos – no sentido literal do termo. E que seguiu movendo alguns compositores pelos séculos 20 e 21 adentro.
Considerem-se os poemas sinfônicos Des canyons aux étoiles, Couleurs de la cité céleste e outras obras místicas de Olivier Messiaen (1908-1992). Ou Karlheinz Stockhausen (1928-2007), que não só afirmava publicamente ser oriundo da estrela Sirius, como contava entre suas composições desde as miniaturas 12 melodias do Zodíaco até a visionária heptalogia cósmico-operística Licht, a ser executada ao longo de sete dias.

Autor: Dieter David Scholz / Augusto ValenteRevisão: Roselaine Wandscheer

Fonte:http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4269371,00.html

sábado, 11 de abril de 2009

Páscoa: a relação dos astros com essa data

A Páscoa é uma festa que é celebrada por três tradições religiosas: a judaica, a católica e a cristã ortodoxa. O sentido geral da celebração é o de libertação. O termo “pessach”, que designa a Páscoa judaica, significa “passagem”, e está associada à libertação do povo judeu da escravidão que sofreu por parte do povo egípcio. A passagem, no caso, refere-se à travessia do Mar Vermelho liderada por Moisés, na impressionante narrativa da abertura do mar para que os judeus pudessem consumar a sua libertação, o mesmo mar que depois se fechou matando grande parte do exército do Faraó que perseguia o povo hebreu. O cálculo da Páscoa judaica está associado ao Ano Novo desta tradição religiosa, e ela se dá exatamente 163 dias antes do Rosh Hashaná, que é a celebração do novo ano, geralmente acontecendo entre os meses de setembro e outubro de cada ano do calendário cristão. A Páscoa cristã está diretamente vinculada ao calendário lunar e solar, tanto no caso da tradição católica quanto no caso da tradição cristã ortodoxa. Ambas se apóiam no início do ano novo astrológico, que ocorre sempre em 21 de março, com a diferença que a Páscoa católica segue o calendário gregoriano, enquanto a páscoa cristã ortodoxa segue o calendário juliano. É, portanto, uma data baseada no Sol e na Lua. O domingo de Páscoa é sempre o primeiro depois da Lua Cheia, que ocorre ou no próprio dia 21 ou logo após essa data. Para a maioria de nós que vive nos grandes centros urbanos e, às vezes, nem consegue enxergar o céu e as posições dos astros, é interessante saber que tradições tão antigas e fundamentais como a celebração pascal estão associadas e alinhadas com os fundamentos da Astrologia.
Fonte: http://www.zastros.com.br/VerMateria.aspx?mat=295&cat=4