Mostrando postagens com marcador pesquisas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pesquisas. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de março de 2009

Gene tem papel importante na esquizofrenia, dizem pesquisas

Cientistas americanos e escoceses identificaram ligação entre gene mutante e doença mental.

Dois estudos apontaram um único gene como a chave para o desenvolvimento e o tratamento da esquizofrenia.
Uma equipe do Howard Hughes Medical Institute, nos Estados Unidos, descobriu que uma versão mutante do gene DISC1 atrapalha o crescimento de células cerebrais.
Um grupo da Universidade de Edimburgo, na Escócia, por sua vez, mostrou como o gene afeta a forma como pacientes respondem a tratamentos contra a doença.
Os dois estudos, publicados nas revistas médicas PLoS One
e Cell, aumentam as esperanças na descoberta de tratamentos mais eficazes contra a esquizofrenia.
A doença é uma forma comum de distúrbio mental, afetando 1% da população adulta mundial.
Os sintomas tendem a aparecer no fim da adolescência ou começo da vida adulta, e podem incluir alucinações, paranóia e depressão.
A equipe americana demonstrou que o gene DISC1 desempenha um papel importante no desenvolvimento normal do cérebro e no crescimento de neurônios. Mas, uma versão incorreta do gene pode atrapalhar o processo.
Trabalhando com ratos, os cientistas mostraram como o gene estava ativo em células tiradas de embriões e também em células-tronco tiradas de ratos adultos.
Quando os níveis de DISC1 foram reduzidos em ratos adultos, as células cerebrais falharam em se dividir, e os animais desenvolveram sintomas parecidos com os da esquizofrenia.
Outros testes mostraram que o gene age como o lítio, uma droga que inibe a ação de uma importante substância química no cérebro e é usada como estabilizador de humor em pacientes com doenças mentais.
Quando os ratos com baixos níveis de DISC1 foram tratados com essa substância química, os sintomas começaram a melhorar.
"Nós precisamos entender a genética da esquizofrenia, mas agora sabemos que o DISC1 provavelmente contribui para a doença, o que é um grande passo", disse o chefe da pesquisa, Li-Heui Tsai.
Em Edimburgo, os pesquisadores analisaram dados do Projeto do Genoma Humano, que foi criado para mapear o código genético dos seres humanos.
Eles revelaram que o DISC1 afeta uma série de outros genes que são tratados pelos atuais remédios para a esquizofrenia.
"Nós sabemos que distúrbios como a esquizofrenia têm um elemento genético e que esse gene específico, o DISC1, é importante nesse processo", disse o coordenador da pesquisa, William Hennah.
"Esse estudo nos ajuda a entender exatamente como ele afeta o desenvolvimento do cérebro e dá pistas de como resolver os problemas quando esse processo dá errado."
A organização não-governamental Rethink, que trabalha com problemas mentais, descreveu o estudo como um importante passo para se entender a esquizofrenia, mas apenas um pequeno passo.
"Com doenças mentais recebendo apenas 6,5% do investimento para pesquisas na Grã-Bretanha, deverá levar um longo tempo para que essas descobertas sejam transformadas em grandes avanços", disse um porta-voz da ONG.
"Se nós realmente quisermos desvendar as complexas causas da esquizofrenia e desenvolver tratamentos mais eficazes, nós precisamos de um nível de investimento para pesquisa proporcional ao enorme custo humano e econômico da doença."