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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Brasil ganha centro internacional de referência em geofísica

Com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, e da Petrobras, no valor total de R$ 2,6 milhões, o Observatório Nacional inaugura hoje (14), em seu campus no Rio de Janeiro, um novo prédio que tornará a instituição referência mundial na área de geofísica.
Durante a solenidade, que terá a presença do ministro Sergio Rezende, o atual diretor do Observatório Nacional, Sergio Fontes, será reconduzido para um novo mandato de quatro anos.
O Centro Internacional de Pesquisas em Geofísica funcionará no novo prédio, que leva o nome do pesquisador Lélio Gama, um dos fundadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).
Sergio Fontes disse que graças a investimentos da Finep e da Petrobras, o Observatório Nacional passa a ter equipamentos de ponta para concluir projetos como a Rede Sismográfica do Sul e Sudeste do Brasil e o pool de Equipamentos Geofísicos do Brasil, entre outros.
O processo de implantação da rede sismográfica está sendo iniciado. Ao longo do ano, a expectativa é instalar em áreas militares, para que haja proteção dos equipamentos, pelo menos cinco ou seis estações equipadas com sismógrafos. No total, serão 11 estações em todo o país. A rede vai monitorar os tremores de terra no Sul e Sudeste brasileiros, que concentra a maior parte da população, visando a atender também à questão de segurança das pessoas. A rede tem custo de R$ 6,1 milhões, financiado pela Petrobras.
“Ainda não é possível, infelizmente, a gente prever com exatidão a ocorrência de um terremoto. O que se pode fazer é saber as regiões onde eles ocorrem com mais certeza”, disse Fontes. Ele acrescentou que no futuro, com o avanço das pesquisas e mais equipamentos instalados, esses fenômenos poderão ser previstos. Os dados sismológicos poderão permitir avanços no conhecimento geológico da crosta terrestre no território brasileiro, ajudando a entender a evolução das bacias sedimentares, por exemplo, explicou Fontes.
O pool de Equipamentos Geofísicos do Brasil, por sua vez, vai atender às pesquisas do próprio Observatório Nacional e de universidades de todo o país. O projeto está funcionando em caráter preliminar e deverá entrar em operação oficial dentro de três meses. O financiamento da Petrobras atinge R$ 14 milhões. O pool será utilizado pelas diversas instituições que integram a rede temática de geotectônica da estatal de energia brasileira.
Outro projeto que contribuirá para tornar o observatório um centro de referência mundial em geofísica é a Rede Brasileira de Observatórios Magnéticos. Atualmente, a instituição opera apenas dois observatórios magnéticos de forma contínua. Um deles está localizado na cidade fluminense de Vassouras e o outro em Tatuoca (PA).
A partir deste ano, a idéia é ter mais oito estações permanentes no Brasil e outras 15 itinerantes. “O Brasil vai ficar com uma cobertura bastante importante em termos de acompanhamento do campo magnético da terra”. No total, serão 25 observatórios, incluindo os dois já existentes.
O projeto é importante não só para o conhecimento do planeta, como para a área econômica, destacou o geofísico. “Medidas do campo magnético são feitas para avaliar recursos minerais, petróleo”. Sergio Fontes lembrou que o estudo do campo magnético da terra é essencial para entender as mudanças que vêm ocorrendo nos pólos sul e norte e as implicações que isso pode ter para a vida no planeta.
Estão sendo fechados acordos com universidades para dar apoio ao projeto. Já estão definidas algumas áreas de interesse para a instalação de magnetômetros. São elas o Amazonas, Acre e Rondônia, no Norte; Brasília e Mato Grosso, no Centro-Oeste; o Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, no Sul; e São Paulo, no Sudeste.
“A gente vai tentar uma cobertura a mais ampla possível no país”, afirmou Fontes. A Finep tem investidos no projeto R$ 670 mil.

Fonte:http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20090414075430&assunto=5&onde=Brasil

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Referência a Perón leva TV argentina a não exibir 'Os Simpsons'


Fox não mostra episódio em que ex-presidente é chamado de 'ditador'


O canal de TV Fox decidiu não exibir na Argentina e no resto da América Latina um capítulo da série de desenho animado Os Simpsons, que fazia referência à "ditadura de (Juan Domingo) Perón" e dizia que o ex-presidente fazia as pessoas "desaparecerem".
O 10º episódio da 19ª temporada da popular série não foi ao ar no domingo, como estava previsto. Em um e-mail mandado posteriormente aos meios de comunicação, a Fox explicou: "Diante da possibilidade de que o capítulo contribua para reabrir feridas muito doloridas para a Argentina, Fox tomou a decisão de não exibí-lo."
No episódio, Springfield, onde mora a família Simpson, se prepara para a realização das eleições primárias dos Estados Unidos.
A decepção em relação aos candidatos que se apresentaram, entre eles um garoto de oito anos, levou o personagem Homer e seus amigos a criticarem os políticos em conversa no bar de Moe.
"O melhor seria abolir a democracia para sempre. Realmente eu gostaria de uma ditadura militar como a de Juan Perón. Quando ele desaparecia com você, você permanecia desaparecido", disse o personagem Carl.
"Além disso, sua esposa era a Madonna", acrescenta Lenny, numa referência irônica ao filme Evita, em que a cantora pop faz o papel da segunda esposa do general argentino.

Interpretações

Pouco depois de ser exibido nos Estados Unidos em janeiro, o episódio foi colocado em um portal da internet, onde foi visto por muitos argentinos.
Imediatamente começou uma polêmica sobre Perón, que ocupou a Presidência argentina em três períodos (1946-1952, 1952-1955 e 1973-1974).
Houve quem protestasse contra o que chamou de "erro histórico", de atribuir a Perón os desaparecidos do último governo militar argentino (1976-1983), e quem ficasse desgostoso com o uso do termo "ditador".
Já os defensores da série criada por Matt Groening insistiram que se tratava de uma confusão deliberada, seguindo a ridicularização da política retratada no episódio, e seguindo o estilo geral de Os Simpsons.
O ex-deputado Lorenzo Pepe, do Partido Justicialista, de inspiração peronista, pediu ao Comitê Federal de Radiodifusão (Comfer), que regulamenta os meios de comunicação da Argentina, que proibisse a exibição do capítulo no país porque ele "ofende a verdade histórica".
Ainda assim, a assessoria de imprensa do Comfer disse à BBC Mundo que o pedido de Pepe foi rejeitado pois o órgão "não exerce censura, mas faz um controle posterior das exibições apenas se houver um pedido". O Comfer deixou claro que o polêmico capítulo de Os Simpsons deixou de ser exibido na Argentina por decisão da Fox.

Fonte:http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL706724-5602,00-REFERENCIA+A+PERON+LEVA+TV+ARGENTINA+A+NAO+EXIBIR+OS+SIMPSONS.html