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sexta-feira, 20 de março de 2009

Água em Marte é salgada, diz estudo

Cientistas americanos disseram nesta terça-feira que a água em forma líquida descoberta junto à sonda espacial "Phoenix", em Marte, é salgada e poderia estar presentes em outros lugares do planeta.
"Há muitas provas que mostram que a água salgada pode ser comum em Marte", disse Nilton Renno, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas, Oceânicas e Espaciais da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
Renno, que integra o grupo de cientistas encarregado das operações da Phoenix, ressaltou que esta é a primeira vez que foi detectada e fotografada água líquida fora da Terra.
"A água líquida é um ingrediente essencial para a vida. Esta descoberta tem implicações importantes para muitas áreas, incluindo a possibilidade de haver vida em Marte", disse.
Até o momento, os cientistas achavam que a água existia no planeta apenas em forma de gelo ou vapor, devido às condições de temperatura e pressão.
O estudo revelou que foram feitas fotos que mostram gotas de orvalho em uma parte da estrutura da sonda.
A "Phoenix" chegou a Marte em maio de 2008 e transmitiu dados à Terra até o início de novembro. Os cientistas, no entanto, seguem analisando as informações.
Fonte: http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2009/03/17/agua-em-marte-salgada-diz-estudo-754885370.asp

sábado, 7 de março de 2009

Acreditar em Deus reduz ansiedade e estresse, diz estudo


Voluntários mostraram diferentes atividades cerebrais diantes de testes.

Acreditar em Deus pode ajudar a acabar com a ansiedade e reduzir o estresse, segundo um estudo da Universidade de Toronto, no Canadá.

A pesquisa, publicada na revista Pyschological Science, envolveu a comparação das reações cerebrais em pessoas de diferentes religiões e em ateus, quando submetidos a uma série de testes.
Segundo os cientistas, quanto mais fé os voluntários tinham, mais tranquilos eles se mostravam diante das tarefas, mesmo quando cometiam erros.
Os pesquisadores afirmam que os participantes que obtiveram melhor resultado nos testes não eram fundamentalistas, mas acreditavam que "Deus deu sentido a suas vidas".
Atividade cerebral
Comparados com os ateus, eles mostraram menos atividade no chamado córtex cingulado anterior, a área do cérebro que ajuda a modificar o comportamento ao sinalizar quando são necessários mais atenção e controle, geralmente como resultado de algum acontecimento que produz ansiedade, como cometer um erro.
"Esta parte do cérebro é como um alarme que toca quando uma pessoa comete um erro ou se sente insegura", disse Michael Inzlicht, professor de psicologia e coordenador da pesquisa. "Os voluntários religiosos ou que simplesmente acreditavam em Deus mostraram muito menos atividade nesta região. Eles são muito menos ansiosos e se sentem menos estressados quando cometem um erro."
O cientista, no entanto, lembra que a ansiedade é "uma faca de dois gumes", necessária e útil em algumas situações.
"Claro que a ansiedade pode ser negativa, porque se você sofre repetidamente com o problema, pode ficar paralisado pelo medo", explicou. "Mas ela tem uma função muito útil, que é nos avisar quando estamos fazendo algo errado. Se você não se sentir ansioso com um erro, que ímpeto vai ter para mudar ou melhorar para não voltar a repetir o mesmo erro?".
Os voluntários religiosos eram cristãos, muçulmanos, hinduístas ou budistas.
Grupos ateus argumentaram que o estudo não prova que Deus existe, apenas mostra que ter uma crença é benéfico.

Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2009/03/090306_deuspesquisaml.shtml

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Estudo de plantas médicas indígenas cai na ilegalidade

A pesquisa com plantas medicinais descobertas por culturas tradicionais só existe hoje no país se for feita na clandestinidade. Essa é a opinião do farmacólogo Elisaldo Carlini, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e de vários outros pesquisadores da área que participam da reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).
As pesquisas realizadas com plantas cujos conhecimentos venham de índios ou povos como quilombolas e ribeirinhos precisam de autorizações do CGen (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético) que não tem sido concedidas.
Segundo Carlini, a criação do órgão, em 2001, criou de barreiras para a bioprospecção, a criação de drogas com base em recursos de seres vivos. A continuidade de um trabalho que ele orientava, com plantas utilizadas pelos índios krahô, foi proibido pelo órgão em 2003. "Eles estão querendo proteger as nossas riquezas, mas não é dessa maneira. Estão cometendo um crime de lesa-pátria, na minha opinião, porque estão impedindo a pesquisa."
Carlini preside também um congresso sobre fitomedicina, que acontecerá em São Paulo em setembro, e conta que a maior parte dos 1.500 trabalhos inscritos descreve plantas sobre as quais os cientistas não obtiveram licença para trabalhar. Sem aval, as pesquisas vão para a clandestinidade. Um programa dos SUS (Sistema Único de Saúde) para uso de plantas medicinais, diz, está atrasado por conta da burocratização da pesquisa no Brasil.
A química Vanderlan Bolzani, da Unesp, diz que falta de pesquisa leva ao uso inadequado da fitomedicina. Segundo ela, espécies estão sendo confundidas --algumas têm eficácia e outras não. Ela citou como exemplo algumas plantas parecidas com a Erythrina mulungu, calmante. Uma planta tóxica, a Petiveria alliaceae, tem sido usada como cicatrizante.
Eliana Rodrigues, da Unifesp, autora da pesquisa com os krahô, teve seu trabalho barrado no Cgen após uma disputa de índios por royalties. Ela conta que todo o processo de autorização leva em média três anos --passando pela universidade, Funai, órgãos de pesquisa e ambientais.
Outra questão polêmica é a repartição dos benefícios gerados com o uso do conhecimento tradicional associado à natureza. Em alguns casos, mais de uma etnia detém o conhecimento que foi aproveitado, e é difícil avaliar quem descobriu o uso médico de determinada espécie. Há caboclos de quatro regiões do país que usam uma mesma planta ansiolítica, que já teve eficácia testada cientificamente, diz Carlini. "Não tenho como descobrir que grupo usou primeiro."
Ele opina que o governo deveria se responsabilizar por descobrir quem tem o direito de receber o benefício e fazer a distribuição de lucros.
Habeas corpus
Num dos debates na SBPC, surgiu a idéia de os cientistas que não conseguem trabalhar pedirem habeas corpus preventivos ao STF (Supremo Tribunal Federal). "Há uma unanimidade na comunidade científica de que a legislação atual atenta contra a pesquisa e é equivocada", diz o consultor e ambientalista Fabio Feldman.
Maria Emerick, diretora do departamento do patrimônio genético do MMA, era aguardada para uma mesa-redonda, mas não compareceu até o fim do evento, na noite de ontem.
Hoje, uma medida provisória regulamenta a questão e há um anteprojeto de lei sobre o tema parado desde 2003 na Casa Civil. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) afirmou na segunda-feira, na reunião da SBPC, que tentará "descriminalizar" a pesquisa e os pesquisadores. Ele disse que parte dos trabalhos poderiam ser autorizadas pelo Ibama e outra parte, diretamente pela universidade.
Carlini disse que vai insistir para que o ministro atenda a Febraplame, que congrega as associações para estudo de plantas medicinais.
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u423633.shtml