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terça-feira, 19 de maio de 2009

Manuscrito de Voynich: O livro mais misterioso do mundo

Foi descoberto em 1912 na Villa Mondragone, em Frascati, perto de Roma, aquilo que representa um dos maiores enigmas do mundo. Junto de outros livros, um manuscrito misterioso e de conteúdo indecifrável até os dias de hoje, vem desafiando pesquisadores em etmologia (estudo da formação dos idiomas) e cientistas em várias áreas.

Tudo teve início quando um comprador de antiguidades, o americano Wilfrid M. Voynich, adquiriu de um antigo colégio de jesuítas na Itália um estranho livro de caracteres indecifráveis até os tempos atuais, tendo em anexo uma carta com data de 1666 se referindo ao antigo proprietário do livro, o imperador Rodolfo II, da Boêmia (hoje região da Alemanha)

O livro estranho foi parar em Nova York depois de morte de Voynich e sua esposa. Por sua vez, o comprador, Hans P. Krauss, o doou para a biblioteca da Universidade de Yale.

O denominado “ Manuscrito de Voynich” tem 235 páginas contendo ilustrações de plantas desconhecidas, quase bizarras, e é escrito em um idioma desconhecido em toda a face da Terra. Há também espécies animais já extintas (?), imagens sobre os temas astronomia, anatomia, além de calendários e figuras de humanos. Há estranhos caracteres, ilustrações de flores e plantas nunca vistas e mulheres nuas que se divertem em banheiras conectadas a estranhos encanamentos.
Outros detalhes intrigantes do manuscrito são planilhas mostrando peças astronômicas vistas por um telescópio, ou ainda células vivas observadas por microscópio. Nas mesmas planilhas, um enigmático calendário com figuras, ou desconhecidos signos zodiacais

As várias teorias

As teorias sobre o livro e sua escrita enigmática variam, desde fraude, ou uma brincadeira de quem pensava em intrigar a sociedade. Mas, de acordo com estudiosos, a repetição de determinados caracteres indicam uma espécie desconhecida de informação, e não uma brincadeira à base de rabiscos sem propósitos.
Outros passaram a acreditar que a escrita vinha de uma língua artificial. Mas, nem mesmo a língua “Ignota” criada por Hildegarde de Bingen se assemelhava aos caracteres do livro.
Quem tentou e quase conseguiu lançar uma luz sobre o assunto foi o botânico Hugh O'Neill, em 1944. Sua conclusão era a de que algumas daquelas plantas representavam espécies do Novo-Mundo, o que provocaria hipótese sobre a confecção do livro após o ano de 1492, data em que Cristóvão Colombo pisou na América trazendo sementes de girassol e pimenta.
Mas, nos desenhos, a pimenta é colorida em verde (ao invés de vermelha) e a identificação de um girassol nas ilustrações gerou dúvidas.

William Romaine Newbold causou outro alvoroço em 1919, ao anunciar que o livro era obra do filósofo inglês Roger Bacon e que o mesmo conhecia a utilização de telescópios e microscópios. Sendo assim, de acordo com Newbold, Bacon conhecia a formação em espiral da vizinha galáxia de Andrômeda, bem como os micróbios, organismos invisíveis a olho nu, e ainda a formação do embrião partindo da união do espermatozoide e do óvulo..

O mistério continua
Parece ser uma espécie de manual ou almanaque voltado para botânica, astronomia e biologia, ou mesmo uma apostila com noções básicas de ciências naturais.

Durante a Segunda Guerra Mundial, peritos militares suspeitaram que o manuscrito pudesse representar informações sigilosas e de espionagem e tentaram destrinchar a inscrição toda mas não conseguiram encontrar uma fórmula para a decodificação do documento.

É de conhecimento público várias falsificações através da história, mas esse tipo de ato sempre buscou um ganho, uma vantagem. Mas , no caso do “Manuscrito de Voynich”, quem se interessaria em produzir trabalhosamente um enigma em mais de 230 páginas sem qualquer intento?

Uma enorme comunidade de cientista, composta de historiadores, bibliófilos, criptógrafos e linguistas, debruça sobre o pequeno livro de 18 por 23 centímetros de comprimento. No entanto, o mistério persiste.
Quem conseguir decifrar mais esse enigma da Terra, poderá entrar para a história.

Ocimar Barbosa
Imagem(s): divulgação

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Manuscrito de Da Vinci pode esconder autorretrato do artista

Imagem foi identificada por jornalista e apresentada sábado, na Itália. Especialistas forenses, gráficos e policiais participaram da investigação
Especialistas removeram o texto, para descobrir o que havia por baixo dele. O que apareceu foi o rosto de um homem, depois identificado como Da Vinci. (Foto: Reuters)
Um esboço que durante cinco séculos ficou oculto sob um texto manuscrito em um dos cadernos de Leonardo da Vinci pode ser um autorretrato dele na juventude, de acordo com especialistas italianos que "envelheceram" o desenho para compará-lo com autorretratos do artista, feitos quando ele já era mais velho.
Escondido sob camadas de manuscrito numa página do "Códice sobre o voo dos pássaros", o desenho foi identificado pelo jornalista científico italiano Piero Angela, que apresentou neste sábado imagens de sua descoberta na televisão estatal italiana RAI. Estudando um fax de alta qualidade do códice, Angela primeiro detectou o esboço leve de um nariz sob o texto preto espesso da décima página do códice, disse ele em entrevista coletiva nesta sexta-feira (27). O estudioso convocou então a ajuda de historiadores da arte, especialistas forenses policiais e do departamento gráfico da RAI para converter em branco o texto preto que recobria o esboço, deixando-o da mesma cor que o papel.
Descoberta
Ao longo de meses de trabalho com micropixels, o designer gráfico Giovanni Stillitano pouco a pouco "removeu" o texto e revelou o desenho que há por baixo. O que emergiu foi o rosto de um homem entre jovem e de meia-idade, com cabelos longos, barba curta e olhar penetrante. Primeiramente, os traços foram comparados a todos os retratos e esboços conhecidos de homens jovens feitos por Leonardo, mas não foi encontrada nenhuma correspondência. Então, tendo notado semelhanças com o famoso autorretrato de Leonardo em idade avançada, pintado por volta de 1512 -- um trabalho de giz vermelho sobre papel, abrigado na Biblioteca Reale de Turim --, Angela se perguntou se o desenho poderia ser um autorretrato de Leonardo mais jovem.
Futuro e passado
Técnicas de investigação criminal foram usadas para correlacionar digitalmente o desenho com o retrato conhecido do artista e "envelhecê-lo" com tecnologia de reconfiguração facial, afundando os ossos molares e os olhos e enrugando a fronte.
A polícia considerou as duas imagens compatíveis "a tal ponto que podemos considerar razoável a hipótese de que as duas imagens retratam a mesma pessoa". Os resultados foram validados por um cirurgião plástico, Giuseppe Leopizzi, e verificados novamente por meio digital, quando o autorretrato de Leonardo mais velho foi "rejuvenescido" digitalmente. Com as rugas removidas e os olhos mais brilhantes, a versão mais jovem do autorretrato mais velho foi superposta ao desenho recém-descoberto, e descobriu-se que era quase idêntica. "Encontrar um novo desenho de Leonardo já é algo espantoso por si só", disse Angela. "Quando tentei envelhecer o rosto, colocando nele o cabelo e a barba do autorretrato famoso, um arrepio percorreu minha espinha. Parecia um irmão gêmeo de Leonardo." O especialista em Leonardo da Vinci Carlo Pedretti, da Universidade da Califórnia, descreveu o desenho como "uma das conquistas mais importantes no estudo de Leonardo, no estudo de sua imagem e também no estudo de seu pensamento".